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Chuvas e inundações dificultam resgate após tsunami na Indonésia

As chuvas torrenciais desta quarta-feira (26) dificultam os esforços das equipes de resgate e agravam as condições de vida dos sobreviventes do tsunami, que atingiu no sábado à noite a costa do estreito de Sunda, na Indonésia, deixando mais de 400 mortos.

Os profissionais tentam ajudar os moradores bloqueados nas ilhas remotas e chegar aos vilarejos mais isolados.

“As fortes chuvas provocaram a cheia de um rio, e há inundações em vários pontos”, afirmou Sutopo Purwo Nugroho, porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres. “Isto prejudica os esforços para retirar as pessoas e ajudar os sobreviventes”, acrescentou.

As autoridades pediram aos moradores que permaneçam afastados da costa, porque o vulcão conhecido como o “filho” do lendário Krakatoa, o Anak Krakatoa, continua em atividade.

O balanço atualizado da tragédia registra 430 mortos, 1.495 feridos e 159 desaparecidos. “É possível que piore quando os socorristas chegarem às regiões mais remotas”, advertiu o porta-voz.

Além disso, mais de 21 mil pessoas foram deslocadas para áreas elevadas.

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Moradores desembarcam em um porto depois de serem evacuados da Ilha Sebesi, em Bakauheni, província de Lampung, em 26 de dezembro de 2018, após o tsunami de 22 de dezembro

Os trabalhadores humanitários advertiram que os recursos de água potável e medicamentos são insuficientes, o que provocou um alerta para uma possível crise sanitária. Nesse cenário, milhares de desabrigados permanecem em refúgios ou em hospitais.

O governo anunciou o uso de helicópteros para transportar mantimentos à população e ajudar as localidades mais remotas da região devastada, ao oeste de Java e sul de Sumatra.

Centenas de indonésios permanecem bloqueados em pequenas ilhas. As autoridades pretendem resgatar estas pessoas de helicóptero ou de barco.

Cães farejadores das equipes de emergência tentam encontrar os desaparecidos, enquanto as famílias aguardam notícias nos centros de identificação de corpos. As esperanças de encontrar sobreviventes entre os escombros são praticamente nulas.

As estradas e pontes foram muito danificadas. As áreas afetadas estão tomadas por carros destruídos, barcos encalhados, móveis e diversos tipos de escombros.

No hotel Tanjung Lesung, onde o grupo de música pop Seventeen fazia um show no momento da tragédia, é possível observar peças de metal, cadeiras, toldos e outros objetos espalhados. O tsunami atingiu os espectadores da apresentação e matou três integrantes da banda – o único sobrevivente foi o vocalista.

A Cruz Vermelha indonésia anunciou que mais de 400 funcionários e voluntários trabalham para distribuir água potável, cobertores, barracas e unidades médicas móveis.

“Nossas equipes encontram muitas fissuras, casas destruídas e pessoas em estado de choque”, disse o diretor de Gestão de Desastres da Cruz Vermelha local, Arifin Hadi.

“Os indonésios sofreram uma série de desastres este ano, há muitas perdas e muita miséria”, completou.

Atividade vulcânica

De acordo com os cientistas, a catástrofe de sábado foi provocada por uma erupção moderada do Anak Krakatoa, que gerou uma avalanche submarina de parte do vulcão e o deslocamento de grandes massas de água.

Anak Krakatoa é uma pequena ilha vulcânica que surgiu no oceano meio século depois da letal erupção do vulcão Krakatoa em 1883. É um dos 127 vulcões ativos da Indonésia.

Naquela ocasião, uma coluna de cinzas, pedras e fumaça foi expelida a mais de 20 km de altura, o que deixou a região no escuro e provocou um grande tsunami, com repercussões em todo mundo. A catástrofe deixou mais de 36 mil mortos.

Esta é a terceira catástrofe natural grave registrada na Indonésia nos últimos dez meses, após uma série de terremotos que atingiu a ilha de Lombok em julho e agosto e do tsunami que devastou Palu, na ilha Célebes, em setembro. Essa tragédia deixou 2.200 mortos e milhares de desaparecidos.

Em 26 de dezembro de 2004, um tsunami provocado por um terremoto no fundo do mar de 9,3 graus de magnitude, na costa de Sumatra, Indonésia, provocou a morte de 220.000 pessoas em vários países do Oceano Índico, 168.000 delas na Indonésia.

Como acontece todos os anos desde então, milhares de indonésios rezaram em recordação às vítimas da tragédia, que completa 14 anos, diante de uma área de Aceh Besar, norte de Sumatra, onde estão os corpos de 47.000 pessoas.

A Indonésia, uma das áreas mais propensas a sofrer catástrofes no planeta, fica no Círculo de Fogo do Pacífico, onde se encontram placas tectônicas e que registra grande parte das erupções vulcânicas e terremotos do planeta.

O serviço meteorológico indonésio (BMKG) afirma que o tempo ruim pode tornar a cratera do vulcão mais frágil.

“Desenvolvemos um sistema de monitoramento focado especificamente nos tremores vulcânicos do Anak Krakatoa, para que possamos fazer alertas precoces”, disse o chefe do BMKG, Dwikorita Karnawati.

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