Especialistas apontam tratamentos contra a Covid-19 que ajudam a salvar vidas

As vacinas concentram a atenção mundial, mas, sem tanto alarde, o tratamento da Covid-19 avançou de forma radical. Mesmo sem drogas novas ou específicas, para quem tem acesso a atendimento médico rápido, a chance de sobreviver é grande, dizem especialistas. À frente dos avanços, estão medicamentos baratos, procedimentos terapêuticos simples e, sobretudo, o maior conhecimento sobre como tratar os pacientes. Os médicos aprenderam a modular o uso de corticoides e anticoagulantes, a interpretar exames em busca de marcadores de inflamação como dímero D. Descobriram como usar melhor o oxigênio e a ventilar seus pacientes. Mas o que tem feito enorme diferença é o acompanhamento diário pelo médico logo após o surgimento dos sintomas, especialistas são unânimes em enfatizar. A pneumologista da Fiocruz Margareth Dalcolmo diz que é preciso falar diariamente com o paciente, mesmo o com sintomas leves. — A Covid-19 é traiçoeira, a saturação de oxigênio pode despencar e a pessoa não percebe. Às vezes, são sinais sutis, como o esforço da musculatura do pescoço e da face, que o paciente nem nota, mas que dizem ao médico que aquela pessoa está com dificuldades para respirar. Aprendemos extraordinariamente, nunca atendemos tanta gente com a mesma doença e sinais tão diferentes. A atenção diária ao paciente salva vidas — afirma. A mesma opinião tem um dos primeiros médicos a atender casos de Covid-19 no Brasil, o pneumologista Carlos Alberto de Barros Franco. — A ideia equivocada de que a Covid-19 não tem tratamento é resultado do fato de que o coronavírus pega muita gente e há muitas pessoas com comorbidades sendo infectadas ao mesmo tempo numa população grande num país como o Brasil, sem estrutura adequada — afirma.

Acompanhamento Diario

Mesmo com sintomas leves, os especialistas frisam que o doente de Covid-19 não deve ficar em casa, ao contrário do que se imaginava. O chefe da UTI do Hospital Copa Star, Fabio Miranda, lembra que antes muitos pacientes já chegavam com a doença avançada. Hoje, a pessoa infectada deve medir quatro vezes por dia a saturação de oxigênio com um oxímetro de dedo. Se cair abaixo de 92% é para ir para o hospital. Mas não existem tratamentos profiláticos ou preventivos. — Esqueçam cloroquina, hidroxicloroquina, zinco, vitamina D, ivermectina, anitta, nada disso provou funcionar. Mas temos outros recursos e ainda boas perspectivas. O fundamental é que o paciente tenha acompanhamento diário, mesmo que pelo telefone — salienta o pneumologista Barros Franco. Mas a ciência mostra que cuidados simples dão bons resultados. O chefe da UTI do Hospital Copa Star, Fabio Miranda, diz que a hidratação na Covid-19 se revelou extremamente importante. Água faz mais pelo paciente do que pílulas, porque a Covid-19 desidrata perigosamente, sem que a pessoa perceba. Uma esperança nessa fase da doença é o soro hiperimune de cavalos desenvolvido por cientistas do Rio com o apoio da Faperj, já pronto para testes em seres humanos. Se usado nos primeiros dias dos sintomas, o sorohiperimune poderia evitar o agravamento, a exemplo do que acontece com os soros contra a raiva, o tétano e as picadas de cobra.

Drogas específicas em estudo

Entre as drogas à vista estão a colchicina, um antiinflamatório usado contra a gota. Foi testada com sucesso no Canadá para modular a resposta imunológica e impedir a superinflamação generalizada que leva ao agravamento da Covid-19. Ela deveria ser dada logo após o surgimento dos sintomas, mas seu uso ainda está em investigação. Na mesma linha estão os anticorpos monoclonais, como o coquetel americano Regeneron, que o ex-presidente americano Donald Trump tomou. Esses anticorpos, específicos para o coronavírus, porém, têm contra eles a possível resistência de mutações do Sars-CoV-2 e o alto custo. Continua a não haver droga para a fase grave. Nos laboratórios, cientistas ainda buscam um antiviral específico contra o Sars-CoV-2. Mas a chance de cura nunca foi tão grande com o bom uso de velhas drogas, como os corticóides e anticoagulantes, cuidados respiratórios. Os especialistas destacam que mesmo essas não podem ser usadas sem critério, pois o segredo está na dosagem e no período correto. Se mal empregadas, são desastrosas. A Covid-19, observam, permanece sendo uma doença difícil, que provoca casos inexplicáveis.

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